Santarém: Os Verdes “chumbam” traçados em estudo para variante ferroviária

30 Julho 2008 - 16:05

 

 

    O Partido Ecologista “Os Verdes” (PEV) considerou hoje que as duas propostas de traçado para a variante de Santarém da Linha Ferroviária do Norte, em fase de estudo de impacte ambiental, apresentam impactos “muito negativos”.

     Em conferência de imprensa, o PEV lamentou que dos cinco traçados alternativos estudados apenas tenham sido colocados dois a consulta pública (que terminou no passado dia 22), precisamente os que considera menos corresponderem aos objectivos inicialmente definidos pela Refer.

     Francisco Madeira Lopes, deputado e membro da Assembleia Municipal de Santarém, afirmou que “Os Verdes” são favoráveis à alteração do traçado da linha do Norte junto a Santarém, mas consideram que as alternativas em estudo geram impactos “muito negativos”, sobretudo na Portela das Padeiras, onde será implantada a nova estação.

     No parecer ao Estudo de Impacto Ambiental que fizeram chegar à Agência Portuguesa para o Ambiente, “Os Verdes” questionam as razões da opção pela construção do túnel na Portela, numa extensão de 463 metros, com a técnica de “cut and cover” (em “trincheira”), que obriga à demolição de habitações, e não com o método da “toupeira”.

     Por outro lado, consideram que “não foram suficientemente tidos em conta no estudo” os “graves problemas de trânsito” que já hoje afectam aquela povoação na periferia da cidade de Santarém.

     Questionam ainda por que razão é sempre omitido o “papel multimodal” da estação de Santarém, o que, a não ser considerado, terá implicações na mobilidade de toda a região, afirmou Madeira Lopes.

     “Os Verdes” sugeriram a criação de corredores verdes/barreiras arbóreas para minimizar os impactos visuais e de ruído que sofrerão algumas habitações na Portela das Padeiras, acrescentou.

     Manuela Cunha, da direcção nacional do PEV, considerou que os traçados em estudo para a variante de Santarém são sintomáticos da “alteração radical do papel que o Governo e a Refer traçaram para o sector ferroviário”, lamentando que a Linha do Norte passe a ter “um papel secundário”.

     Manuela Cunha afirmou que “Os Verdes” reclamavam há muitos anos o desvio da Linha do Norte junto a Santarém, por razões de segurança (devido às derrocadas das barreiras), pelos numerosos acidentes urbanos, nomeadamente na Ribeira de Santarém, e pela redução de velocidade a que os comboios estão obrigados nesta zona.

     “Os Verdes foram durante muitos anos o único partido a apresentar propostas em sede de Plano de Investimentos e Despesas de Desenvolvimento da Administração Central, na Assembleia da República, para esse efeito”, afirmou.

     Para Manuela Cunha, o investimento na modernização da Linha do Norte feito nos últimos anos, com perto de 40 por cento do previsto de facto executado “e muitos milhares de euros gastos”, revelou-se “um verdadeiro fiasco”.