O secretário de Estado das Florestas quer antecipar a redução da área ardida em Portugal dada a relevância económica de um sector que vale 3,2 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) nacional e assegura 260.000 postos de trabalho directos.
Ascenso Simões, que hoje presidiu, em Santarém, à tomada de posse da primeira Comissão Distrital para Defesa da Floresta, considerou essencial a antecipação da meta dos menos de 100.000 hectares de área ardida definida para 2012 e dos 30.000 hectares apontados para 2018.
“Não nos conformamos. É preciso ir mais rápido e antecipar a chegada a esses valores”, afirmou o secretário de Estado do Desenvolvimento Rural e das Florestas, numa sessão em que fez questão de “prestar contas” do trabalho realizado.
Ascenso Simões, que transitou da Protecção Civil para as Florestas, disse ter confirmado, com a passagem para o Ministério da Agricultura, a necessidade de se caminhar “mais rápido” na adopção de medidas de protecção de um sector “relevantíssimo da economia” nacional.
Frisando que a floresta portuguesa vale 3,2 por cento do PIB nacional, 12 por cento do PIB industrial, 11 por cento das exportações e 260.000 postos de trabalho, Ascenso Simões sublinhou que só a caça vale 340 milhões de euros, “mais do que a primeira Liga de Futebol, mas com muito menos impacto público”.
Para o secretário de Estado, constituídos os pilares de combate aos fogos florestais, era preciso construir as estruturas que assegurem a primeira intervenção, a da prevenção e acompanhamento do investimento e dos produtores, da responsabilidade do Ministério da Agricultura, que se começa agora a materializar com a criação das comissões distritais que juntam autarquias, organizações de produtores, forças de segurança, responsáveis de baldios, entre outras instituições.
“Estava-se à espera da regionalização e a distância entre a administração central e os produtores era imensa. Enquanto não vem [a regionalização] as comissões de prevenção, combate e vigilância são precisas”, disse.
Referindo o trabalho desenvolvido ao nível das várias fileiras florestais, da legislação, da criação de estruturas de gestão e prevenção estrutural e de uma nova relação com os parceiros, Ascenso Simões apontou o investimento em curso no sector.
Segundo os dados hoje apresentados, até 2013 o sector receberá um total de apoios públicos de 468 milhões de euros, existindo ainda 31 milhões de euros para aplicar em 2009 e 2010 ao abrigo do Fundo Florestal Permanente e 20,3 milhões de euros para formação.
O governador civil do distrito de Santarém, Paulo Fonseca, sublinhou o facto de as comissões distritais, em articulação com as municipais, serem fundamentais para uma melhor gestão da floresta, o que, aliado à nova legislação, contribuirá para a fixação de pessoas e riqueza no mundo rural.